Thiego Raimundo dos Santos Silva, mais conhecido como deputado estadual TH Joias, construiu sua imagem pública com base no luxo, na ostentação e na proximidade com celebridades. Nascido no Morro do Fubá, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ele herdou do pai, Juberto, o ofício de joalheiro e, aos 19 anos, assumiu a loja da família em Madureira.
Com talento e carisma, conquistou uma clientela estrelada entre eles, Neymar, Vinícius Jr., Ludmilla e MC Gui. Ele transformou sua marca pessoal em símbolo de sucesso nas redes sociais e nas comunidades cariocas. Mas por trás das joias cravejadas e dos vídeos motivacionais, a Polícia Federal enxergou uma rede criminosa sofisticada.
Na manhça de hoje, TH Joias foi preso em uma operação batizada de Bandeirante, que revelou seu envolvimento direto com o Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, ele usava o mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para favorecer a facção, nomeando aliados em cargos públicos e intermediando a compra e venda de armas e drogas.

Thiego era joalheiro – Foto: Divulgação
A PF identificou que o parlamentar negociava fuzis vindos do Paraguai e equipamentos antidrone da China, distribuídos para comunidades dominadas pelo tráfico. Além disso, ele mantinha relações com outras facções como a ADA e o TCP, e pagava propina a policiais para garantir proteção às operações criminosas.
A operação cumpriu 18 mandados de prisão preventiva, 22 de busca e apreensão, e bloqueou R$ 40 milhões em bens dos envolvidos.
TH Joias foi localizado em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, onde tentava se esconder. Também foram presos seu assessor Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o “Dudu”, e o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, apontado como liderança do CV.
Antes de entrar na política, TH Joias já havia sido preso em 2017 e 2018 por suspeita de tráfico e lavagem de dinheiro. Mesmo assim, em 2022, conquistou 15.105 votos e assumiu o mandato em 2024 como suplente, após a morte de Otoni de Paula Pai. No cargo, presidiu a Comissão de Defesa Civil e dizia priorizar projetos sociais, educação e inclusão. Após sua prisão, o MDB anunciou sua expulsão imediata.
O caso de TH Joias escancara como o crime organizado no Rio de Janeiro se infiltrou na política. Ele não apenas usou sua imagem de sucesso para conquistar votos, mas também instrumentalizou o Estado para fortalecer uma das maiores facções criminosas do país.
