Encontros de Xi Jinping ao longo de 1 ano mostram influência da China sobre países sul-americanos

Mundo – Nos últimos 12 meses, o presidente chinês Xi Jinping intensificou contatos diretos com líderes da América do Sul, consolidando a posição da China como parceira estratégica preferencial em meio a tensões comerciais globais e pressões externas. Desde abril de 2025, quando os Estados Unidos impuseram tarifas amplas a mais de 180 países no chamado “Dia da Libertação” anunciado pelo presidente Donald Trump, pelo menos seis dos 12 presidentes sul-americanos se reuniram pessoalmente com Xi, destacando a rápida ascensão de Pequim como contrapeso à influência norte-americana na região. A América do Sul se tornou um dos principais campos de disputa na rivalidade sino-americana. Em 2000, os EUA eram o principal parceiro comercial de todos os países sul-americanos. Em 2024, a China já ocupava essa posição em seis nações, incluindo as duas maiores economias: Brasil e Argentina. Esse avanço econômico pavimentou o caminho para uma diplomacia mais ativa, com encontros bilaterais e multilaterais que enfatizam multilateralismo, cooperação Sul-Sul e resistência a medidas protecionistas unilaterais. Um marco importante ocorreu em maio de 2025, durante o 4º Fórum China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), em Pequim.
O evento, que reuniu líderes e chanceleres da região, serviu de plataforma para discutir alternativas às barreiras impostas pelos EUA. O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, defendeu a união contra “medidas unilaterais” e acusou Washington de tentar “saquear” a região. Xi Jinping anunciou linhas de crédito e compromissos para aumentar importações e investimentos chineses na América Latina. Entre os destaques, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou do fórum e teve encontro bilateral com Xi. Lula criticou abertamente as tarifas americanas, afirmando não se conformar com o protecionismo que poderia levar o mundo a conflitos maiores. Outros líderes sul-americanos também aproveitaram o momento para reforçar laços. Mais recentemente, em fevereiro de 2026, Xi recebeu o presidente uruguaio Yamandú Orsi (Frente Ampla). O encontro reforçou temas recorrentes: defesa do multilateralismo, globalização inclusiva e um mundo multipolar “igual e ordenado”. Embora os acordos econômicos específicos nem sempre sejam volumosos, a estratégia chinesa prioriza o estreitamento diplomático e a imagem de alternativa confiável às pressões externas.