Corpos de amazonenses mortos na megaoperação do Rio chegam ao Amazonas

Manaus/AM- Após o encerramento da perícia e a liberação de todos os 117 corpos de suspeitos mortos na Operação Contenção, a ação mais letal da história do Brasil, os restos mortais dos amazonenses vitimados começam a ser trasladados para o Amazonas.

A megaoperação, deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, evidenciou a forte ligação entre o crime organizado carioca e a Região Norte. O balanço oficial da Polícia Civil do Rio confirmou que 7 amazonenses estão entre os mortos, reforçando a tese de que a capital fluminense era o principal refúgio e centro de comando para líderes foragidos do Comando Vermelho (CV).

Implicações para o Amazonas

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro informou o fim oficial da perícia no Instituto Médico-Legal (IML) neste domingo (2), o que permitiu o início do processo de traslado dos corpos para os seus estados de origem. A presença de amazonenses e paraenses na lista de mortos sublinha o papel do Rio de Janeiro como “sede nacional” do CV, de onde a facção orquestrava o tráfico e o domínio territorial em outras regiões.

Além dos óbitos, um terço dos mais de 100 presos na operação também era de outros estados, indicando que os complexos funcionavam como centros de treinamento e logística para a facção.

Mortos Identificados: Entre os mortos, a Polícia Civil informou que 43 tinham mandados de prisão pendentes e pelo menos 78 possuíam histórico criminal.

Tráfico e Armas: A operação apreendeu um arsenal avaliado em R$ 12,8 milhões, incluindo 93 fuzis (alguns de origem russa e belga, usados em zonas de guerra), que seriam usados para municiar as rotas de tráfico que se estendem até o Amazonas.

A Defensoria Pública do Rio, que seguiu prestando assistência às famílias, havia solicitado o acompanhamento das perícias no IML – uma prerrogativa prevista na ADPF das Favelas –, mas o pedido foi negado pela Polícia Civil.