David Almeida defende reforma da previdência e alerta para risco de colapso futuro em Manaus

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), voltou a se posicionar sobre o projeto de Reforma da Previdência municipal, em tramitação na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 25, Almeida ressaltou a necessidade de alterações no sistema previdenciário para garantir a sustentabilidade financeira do fundo no futuro e criticou os movimentos contrários à proposta.

Segundo o prefeito, o déficit previdenciário pode comprometer o pagamento de salários e aposentadorias a médio e longo prazo.

“A previdência daqui a oito ou dez anos não vai ter dinheiro para pagar o salário de quem está na ativa. E as pessoas que estão fazendo movimento para que essa reforma não seja feita estão prejudicando a si mesmas”, afirmou.

Reforma atrasada
David Almeida lembrou que a adequação do sistema deveria ter ocorrido desde 2019, em alinhamento à reforma nacional, mas foi postergada. Ele destacou que os números comprovam a necessidade de mudanças, já que o equilíbrio entre trabalhadores ativos e aposentados mudou drasticamente.

“No passado, oito pessoas trabalhavam para pagar duas aposentadas. Hoje são cinco trabalhadores para cinco aposentados. Daqui a dez anos, serão três trabalhadores para sete aposentados. Não vai ter dinheiro para pagar”, reforçou.

“Não vai estourar na minha gestão”
O prefeito disse ainda que, embora o impacto maior da crise previdenciária não deva ocorrer durante seu mandato — que vai até 2028 —, é preciso responsabilidade para não deixar o problema para as próximas gestões.

“Eu poderia até lavar minhas mãos com relação a esse assunto, porque isso não vai estourar na minha gestão, que termina em 2028. Mas, a partir de 2030, o próximo prefeito e as pessoas que estão trabalhando hoje precisam estar atentas, porque, quando se aposentarem, segundo o fundo financeiro, não vai haver recurso suficiente. Essa é uma conta que não fecha.”, declarou.

Contribuição e expectativa de vida
David Almeida explicou que a atual contribuição de 14% do salário é insuficiente diante da expectativa de vida da população brasileira, que leva a aposentadorias mais longas.

“Sejamos claros: você passa 25 anos contribuindo com 14% do seu salário, que é a contribuição atual — nós não estamos aumentando a alíquota. E aí essa pessoa se aposenta e vai passar mais 25 anos, segundo a expectativa de vida do povo brasileiro, recebendo 100%. Não fecha a conta. É preciso que haja esclarecimento e que se discuta de forma racional.”, disse.

Esclarecimento à população
O prefeito reforçou que pretende ampliar o debate e realizar ações de comunicação para que os servidores entendam a importância da reforma.

“Esse problema poderia, como eu disse, não me afetar, mas eu estou preocupado, porque os gráficos mostram a taxa de natalidade, o envelhecimento da população e a pirâmide geracional que mudou de base. Tudo isso precisa ser discutido. Não é simplesmente tirar ou impor, mas discutir, esclarecer e mostrar a necessidade. As pessoas que hoje estão fazendo esse movimento podem estar prejudicando o próprio futuro”, concluiu.