Maio de 2020. O nível de tensão entre o governo e o Supremo Tribunal Federal caminhava para atingir o seu ponto mais alto quando o ministro Alexandre de Moraes autorizou uma operação que tinha como alvos apoiadores de Jair Bolsonaro apontados como disseminadores de informações falsas sobre a Corte. Havia rumores de que a etapa seguinte da investigação miraria os filhos do capitão, inclusive com a prisão de um deles. O então presidente reagiu. Em um pronunciamento feito na porta do Palácio da Alvorada, advertiu que as coisas tinham um limite. Sem citar nomes, disse que não iria mais admitir a “atitude de certas pessoas”. E, por fim, num tom de voz acima do normal e utilizando um palavrão, vaticinou: “Acabou, p.!”.
A declaração era mais do que um arroubo movido por uma suposta indignação. Depois disso, vieram as manifestações de rua, os acampamentos em frente aos quartéis, as suspeitas sobre a segurança do processo eleitoral, as reuniões secretas com militares, as minutas, os planos de assassinato e o sinistro dia 8 de janeiro de 2023 – sequência de fatos que, segundo a acusação da Procuradoria-Geral da República, estavam interligados, faziam parte de uma trama para subverter a democracia e levaram o ex-presidente da República e sete de seus antigos auxiliares ao banco dos réus cinco anos depois.
